Música: Concerto em Nova York executa obras perdidas de Mendelssohn

da Associated Press, em Nova York

No ano em que se comemora 200 anos do nascimento de Felix Mendelssohn (1809-1847), os aficionados da música erudita terão a oportunidade de conhecerem trabalhos inéditos do compositor alemão. Na próxima quarta-feira (28) o Museu da Herança Judaica em Nova York irá apresentar pela primeira vez 13 composições perdidas ao longo de décadas e recentemente encontradas.

As obras --feitas para voz, quarteto de cordas, piano e violino-- fazem parte de um acervo de 270 peças que estavam escondidas em livrarias ou coleções privadas em todo o mundo. A busca, que durou mais de dez anos, envolveu consultas com especialistas e pesquisa em mais de 9.000 cartas não publicadas.

O programa será executado pela Quarteto de Shangai e outros músicos e inclui obras encontradas na Polônia, Hungria, Alemanha, Rússia, França e Inglaterra.

"Esse concerto para mim é um evento extraordinário por reunir obras que realmente atravessaram toda sua vida", disse o maestro Stephen Somary, que realizou a pesquisa. A performance ocorre sete anos depois do Projeto Mendelssohn, dirigido por Somary, que apresentou pela primeira vez uma versão revisada da sinfonia "Italiana".

O maestro, que passou anos trabalhando na Alemanha durante os anos 90, já iniciou as gravações de todo o catálogo de Mendelssohn, que tem entre 350 e 400 obras. "Eu não tinha ideia do que estava me metendo quando comecei isso", afirmou Somary, que já trabalhou com o maestro Leonard Bernstein.

"Quando eu entrei pela primeira vez na Biblioteca do Estado Prussiano na antiga Berlim Oriental e comecei a ler algumas das cartas que nunca foram publicadas e comecei a ver referências a quatro ou cinco óperas diferentes que ninguém nunca ouvira falar (...) uma sinfonia de crianças, canção de câmara, obras de arte, um mundo inteiro se abriu para mim, foi impressionante", descreve Somary.

Dispersão

Felix Mendelssohn era neto do filósofo judeu alemão Moses Mendelssohn e, quando criança, seus pais se converteram ao cristianismo e adotaram o sobrenome Bartholdy. Algumas de suas maiores obras --como "Sonho de uma Noite de Verão"-- foram escritas antes que ele completasse 18 anos. Entre outras obras-primas estão seus quartetos de cordas, concerto de violino em Mi Maior e o oratório "Elijah".

Por causa de sua origem judaica, seus trabalhos foram banidos durante o governo nazista na Alemanha. Durante o mandato de Hitler, centenas de composições, manuscritos, cartas e até pinturas feitas por Mendelssohn tiveram de ser contrabandeadas para cidades como Varsóvia e Cracóvia, e depois espalhadas pelo mundo quando a Alemanha ocupou a Polônia.

Somary diz que o concerto e o projeto de recuperação das obras pode elevar a posição de Mendelssohn na música erudita. "Há algo incompleto sobre ele, algo incompleto sobre a percepção do público", afirma o maestro. "Sua música é tão extraordinária, mas nunca não foi dada a ela a mesma atenção que outras da mesma qualidade", diz.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u493576.shtml

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