Literatura: "New Yorker" publica extenso artigo sobre Lobo Antunes
A revista "New Yorker" publicou ontem, na sua versão on-line, um extenso artigo sobre António Lobo Antunes, assinado por Peter Conrad, que descreve o romancista português como alguém que "permanece obsessivamente local, preocupado com as dores herdadas da história portuguesa e as debilidades culturais do país". O contrário de Saramago, sugere Conrad, cujas "parábolas seculares, geralmente localizadas em países imaginários, zarpam facilmente para a universalidade".
Lobo Antunes, diz o crítico, "tal como o Stephen Dedalus de Joyce, que queria assumir as dores da Irlanda, almeja ser uma consciência nacional, relembrando aos seus compatriotas untuosamente prósperos o seu vergonhoso passado - uma herança de culpa deixada pela ditadura de Salazar (...) e pela brutalidade do seu regime colonial em África".
Ilustrado com um desenho do cartoonista André Carrilho, que mostra Lobo Antunes num banco público do Terreiro do Paço junto à estátua equestre de D. José, o artigo de Conrad deverá sair no próximo número em papel desta prestigiada revista literária dos Estados Unidos. Lembrando os vários prémios europeus conquistados pelo escritor, e afirmando que este é igualmente "bem conhecido do leitor americano", o autor do texto diz, no entanto, que Lobo Antunes é "ofuscado pelo seu colega mais velho, José Saramago, que ganhou o prémio Nobel em 1998".
Mostrando conhecer os bastidores dos meios literários portugueses, Conrad acrescenta que, à semelhança de "partidos políticos rivais ou equipas desportivas", ambos dispõem de "partidários ruidosos", e que os de Lobo Antunes afirmam que "o Nobel foi ganho pelo homem errado".
Não é a primeira vez que Peter Conrad, um académico australiano há muito radicado nos Estados Unidos, escreve sobre figuras portuguesas. No jornal inglês "The Observer", com o qual também colabora regularmente, dedicou, em 2006, um artigo a José Mourinho, então treinador do Chelsea, sugestivamente intitulado "O Grande Ditador".


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